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Na última semana, duas gigantes do varejo, Casas Bahia e Marabraz, entraram em recuperação judicial. Esse movimento não é algo pontual, mas o espelho de como o setor tem caminhado, e basta lembrar da situação de crise do Grupo Pão de Açucar, das Lojas Americanas em épocas recentes também.

O assunto, além do destaque na mídia nacional, teve repercussão por aqui, o tema foi assunto do programa Conversas Cruzadas, no dia 19 de agosto, com o jornalista Renato Igor, na Rádio CBN, em seu programa diário, com a presença de um consultor da Fecomércio-SC e de nosso Presidente Marcelo May Philippi, que pontuou com perspicácia temas e insights como:

– As conversas na entrevista partiram do recente movimento de reestruturação da Casas Bahia para ampliar a discussão sobre o atual cenário do varejo brasileiro. O setor atravessa um período de maior pressão, marcado por juros elevados, crédito mais caro, endividamento das famílias, consumo mais cauteloso e profundas mudanças no comportamento do consumidor.

– O caso também chama atenção para uma transformação estrutural do varejo: expansão e número de lojas já não são, isoladamente, indicadores de força. Eficiência, rentabilidade, gestão de estoques, integração entre físico e digital e capacidade de adaptação passaram a ser determinantes.

– Para o Presidente, o varejo não está acabando. Está passando por uma transformação profunda. O consumidor continua comprando, mas mudou a forma como pesquisa, compara preços, escolhe canais e toma decisões. Nesse contexto, as empresas precisam rever estruturas, custos e modelos de operação.

– O fechamento de lojas deve ser analisado também sob essa perspectiva: mais importante do que quantidade de pontos de venda é a produtividade e a relevância de cada operação.

– Juros e crédito: impactam tanto o custo financeiro das empresas quanto a capacidade de compra do consumidor, especialmente em segmentos dependentes de parcelamento.

– Consumo mais cauteloso: famílias endividadas priorizam despesas e adiam compras de maior valor.

– Novo consumidor: mais digital, informado, comparador e exigente em preço e conveniência.

– Loja física: continuam relevantes, mas precisam agregar experiência, relacionamento, serviços e integração com o digital.

– Eficiência: faturamento e escala não bastam. Margem, geração de caixa, giro de estoque e produtividade ganharam ainda mais importância e ainda a concorrência digital – marketplaces e novos modelos de negócio aumentaram a pressão sobre preço, variedade, logística e experiência.

Confira a entrevista completa: https://www.youtube.com/watch?v=8m5PdAUhOWs.

Caso Casas Bahia

No caso específico das Casas Bahia é importante separar o cenário geral do varejo das questões específicas da companhia. A situação da Casas Bahia não significa que todo o varejo esteja em crise. Porém, funciona como um alerta sobre os desafios enfrentados por grandes operações diante de um cenário econômico mais restritivo e de mudanças estruturais no mercado.

Na mídia nacional, muitos veículos de comunicação, trouxeram a quantidade de empresas do varejo brasileiro em recuperação judicial, que cresceu 20,4% em 12 meses e chegou a 986 no primeiro semestre deste ano de 2026.

Além da taxa Selic em 14%, tornar os empréstimos mais caros, a dificuldade de conseguir crédito aperta as empresas, isso importa porque ter acesso a empréstimos nesse setor é fundamental. Sem eles, a dificuldade financeira logo se transforma em falta de estoques e consequentemente menos vendas.

Parece que a crise do varejo é mundial, segundo a S&P Global, nos EUA, o primeiro semestre de 2026 já teve 372 pedidos de recuperação judicial de grandes empresas em todos os setores, o maior número desde 2010. Na União Europeia, o Banco Nacional Europeu aponta que as falências corporativas subiram 5,7% no segundo semestre.  

Passadas duas semanas, da solicitação da recuperação, já se sabe do valor da dívida, declarada em aproximadamente R$ 17,3 bilhões, e que se tornou um dos episódios mais emblemáticos da atual crise empresarial brasileira. Ao lado de companhias com Grupo Toky (pertencem a Mobly e a Tok&Stok), o movimento evidencia que as dificuldades enfrentadas pelo varejo brasileiro vão além de casos isolados e podem sinalizar um novo ciclo de restruturação. Para o Presidente, o cenário é resultado da combinação de muitos fatores, dos juros elevados por períodos prolongados, restrições ao crédito, aumento do custo financeiro das empresas e endividamento das famílias, que reduz o poder de consumo. Os efeitos são ainda mais intensos em segmentos dependentes de financiamento e parcelamento, como móveis, eletrodomésticos e bens duráveis.